A falta de sensibilidade do comércio para a inclusão

21-05-2025

Com a criação deste projeto e o início do contacto com as marcas, muitas perceberam que não apresentavam qualquer medida de inclusão. Este ponto fez refletir ao que nível existe inclusão dentro da área do consumo.

Fonte: Loja Humana
Fonte: Loja Humana

Em outubro de 2024 decidimos criar este projeto e, antes, de toda a parte estética resolvemos contactar marcas que poderiam ser nossos parceiros para mostrar a atenção das suas lojas para a acessibilidade.

 "Sim, adoramos o projeto e adoraríamos entrar", esta foi uma das primeiras respostas que obtivemos de uma cadeia de lojas nacional. No segundo contacto fizemos a seguintes perguntas: a vossa loja tem rampas ou qualquer apoio para alguém que não consegue subir escadas? tem um atendimento personalizado como por exemplo formação em língua gestual? Têm provadores adaptados para pessoas com deficiência. "Ao vermos as vossas questões percebemos que não pudemos colaborar com o vosso projeto, pois as nossas lojas ainda estão em crescimento". Este foi só um exemplo das várias respostas semelhantes que recebemos e outras nem resposta ao primeiro contacto obtivemos. 

O consumidor

Com a perspetiva das grandes e pequenas superfícies que contactamos decidimos perceber a perspetiva de quem lida com estas situações diariamente. "O que acontece, por vezes, é os funcionários não têm formação para lidar com uma pessoa com deficiência e às vezes existem más interações ou más interpretações.", este foi um excerto da entrevista ao jornalista com deficiência visual Tomás Delfim. Para o profissional um dos impedimentos para realizar compras presencialmente é o espaço e a falta de formação que a empresa dá aos funcionários.

No questionário que aplicámos em parceria com a SPEM (Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla). Muitos apontaram para um detalhe que para a sociedade pode ser comum, mas para alguém que tem deficiência motora é um obstáculo que são as escadas. "Poucas rampas, passeios de calçada grande que dificultam a passagem de cadeirantes", aponta uma pessoa cujo o nome não quis ser citado.

Já outros apontam para o atendimento e o número de caixas. " As caixas prioritárias são muito poucas, os acessos a deficientes para estacionamento são muito escassos. Na zona da restauração deveria de haver mesas apenas para pessoas portadoras de deficiência devidamente comprovadas.", apontou outra pessoa que respondeu ao questionário anonimamente.

O futuro

Com base nesta pesquisa percebemos que ainda existe um longo caminho para os espaços de consumo e que o aparenta ser inclusivo muitas vezes é escondido ou oferecido em pouca quantia.

Resta saber se as lojas que foram contactadas por nós se irão fazer as pequenas adaptações para satisfazer todos os seus clientes. 

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